Pernas robóticas chegam no final do ano

Dezembro é o mês anunciado por um grupo de investigadores japoneses para o lançamento oficial das primeiras duas pernas robóticas totalmente operacionais e ligadas entre si como um conjunto unificado.

A informação foi divulgada à imprensa por um dos responsáveis pela inovação, o médico japonês Eiichi Saito.

Conforme sublinhado pelo líder daquela pesquisa pioneira, os últimos dias do ano serão mesmo o “período ideal” para dar a conhecer o dispositivo que já é apresentado como a última grande novidade da robótica moderna ao serviço da medicina e das pessoas.

Com a ajuda desta prótese constituída por duas pernas artificiais, qualquer indivíduo paralisado da cintura para baixo voltará a ter o inteiro controlo daqueles membros, ganhando assim a liberdade de movimentos que havia perdido por um ou outro motivo.

O aparelho mecânico de origem japonesa está equipado com tecnologia de ponta que lhe permite recriar os movimentos da perna humana, desde a coxa até à extremidade dos dedos do pé. O interior é composto por uma complexa linha de cabos e um não menos básico “sistema central”, responsável por comandar todo o funcionamento da prótese e assegurar o seu bom desempenho.

O ressuscitar de um membro perdido

Desenvolvidas por um grupo de especialistas liderado por Saito, as pernas robóticas já permitiram às pessoas que participam nos seus testes andarem sozinhas ao longo de mais de 500 metros sem qualquer problema de equilíbrio. Este foi, de resto, o maior obstáculo colocado à criação desta prótese, uma vez que os factores peso e rigidez condicionavam significativamente a movimentação. No entanto, aperfeiçoada com o decorrer dos anos, esta tornou-se a vantagem de maior importância e poderá contribuir fortemente para o sucesso do equipamento.

A estrutura do mecanismo é constituída por seis motores, três em cada perna, colocados na cintura, joelhos e tornozelos. O suporte estende-se ao longo do tronco, facilitando desta forma e a qualquer altura, a escolha da velocidade e tamanho da passada que o utilizador pretende efectuar, tornando assim possível que se possa inclusivamente subir e descer escadas ou até mesmo correr por alguns breves minutos.

Dominar o seu funcionamento é muitíssimo simples, consistindo basicamente numa série de botões independentes, que ao serem accionados comunicam com a “central de actividade”, o núcleo principal que administra a prótese e todas as suas actividades, desencadeando a movimentação coordenada das duas pernas artificiais.

O aparelho de auxílio à locomoção irá permitir que deficientes físicos com incapacidade permanente possam recuperar a capacidade de movimentos sem necessidade de recorrer ao apoio de quaisquer tipos de outros engenhos complementares.

O novo equipamento já passou a fase de testes e somente algumas questões secundárias que necessitam de afinamento, impedem a sua apresentação ao público em geral. Esta etapa incubadora dura há mais de três anos e nunca antes tinha sido avançada qualquer previsão para o anúncio oficial das pernas mecânicas ao mundo. Porém, essa altura chegou e a contagem decrescente começa hoje mesmo, quando deverão faltar menos de 60 dias para ser conhecida a primeira prótese completa de duas pernas humanas com funcionamento paralelo.

A inovação da perna robótica implica custos avultados e por isso mesmo não estará acessível a qualquer pessoa, embora não exista ainda certeza quanto ao preço a que será comercializada. No entanto, diversos hospitais japoneses já demonstraram vontade em alugar o equipamento para que os seus utentes possam usufruir dele.

Na tua opinião, os Governos devem apoiar esta prótese revolucionária, nomeadamente dando a oportunidade de conceder empréstimos para o seu pagamento ou incentivando o desenvolvimento de créditos para a sua aquisição?

Escrito por André Delgado

Fundador e administrador do Make Bits, desde cedo que se interessou por robótica e micro-controladores, principalmente pelo Arduino. Já escreveu 116 artigos no Make Bits sobre os mais variados temas da robótica.

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3 Comentários

  • Na tua opinião, os Governos devem apoiar esta prótese revolucionária, nomeadamente dando a oportunidade de conceder empréstimos para o seu pagamento ou incentivando o desenvolvimento de créditos para a sua aquisição?

  • Claro que sim, é um bem necessário. Existe ai tanto jovem e idoso numa cadeira de rodas porque não as pernas robóticas?

    Mas por acaso as "pernas" devem custar um alto valor quase de certeza.

    • Ai é que devia entrar a comparticipação do estado :) pode ser que haja avanços nestes tipos de tecnologias

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